Não vos deixeis levar em redor por doutrinas várias e estranhas, porque bom é que o coração se fortifique com graça, e não com alimentos que de nada aproveitaram aos que a eles se entregaram. Hebreus 13:9

Assembléia de Deus
Sede - Maringá / Paraná)

Estudos

24/12/2012 / Estudos

Estudo 2: A Herança do Verdadeiro Natal

Verdadeiro Natal

admaringa Pr. Robson Brito

Verdadeiro Natal



IEADCEMAR – IGREJA EVANGÉLICA ASSEMBLEIA DE DEUS DO CAMPO ECLESIÁTICO DE MARINGÁ


SÉRIE de ESTUDOS: A HERANÇA DO VERDADEIRO NATAL


Estudo 2: Natal verdadeiro se revela
na Encarnação do Verbo (Jo 1.1-5; 14)


“No príncípio, Deus criou o céu e a terra. Ora a terra estava sem forma e vazia, as trevas cobriam o abismo, e um sopro de Deus
chocava a superfície das águas” (Gn 1,1-2). “No princípio era o Verbo e o Verbo estava com Deus e o Verbo era Deus. No princípio, ele estava com Deus. Tudo foi feito por meio dele e sem ele nada do que foi feito se fez" (Jo 1.1-3).
Se o coração do Gênesis é a imagem do Deus que cria e salva, o coração do Evangelho de João é o testemunho da encarnação histórica de Jesus de Nazaré. Acredita-se que a intenção da introdução do Evangelho de João é a atualização do primeiro capítulo do Livro do Gênesis.
Tanto Gênesis 1 quanto João 1 começam com a palavra ‘no princípio’. Se o primeiro utiliza o termo hebraico B’reshit, o segundo falará a partir da expressão grega en arché. Trata-se da afirmação de que em Cristo se dá um novo Gênesis, uma nova origem, uma nova criação, uma nova humanidade. A palavra criadora do Gênesis torna-se gente em João.
Etimologicamente, o termo ‘encarnação’ é proveniente do latim clássico incarnare. É a manifestação mais crível de que um dia Deus se tornou carne em nossa carne, história de nossa história, vida em nossa vida, Jesus vestiu nossa humanidade.
A encarnação foi o meio legítimo para que Deus entrasse fisicamente na Terra. De tão profunda que é, a  doutrina da encarnação deve ser vista em diferentes aspectos, é o que faremos neste estudo.


I. ENCARNAÇÃO PROFETIZADA e CUMPRIDA
1. Descendência de Abraão - Gênesis 18:18 12:3 : Visto que Abraão certamente virá a ser uma grande e poderosa nação e nele serão benditas todas as nações da terra...Cumprimento: Atos 3:25 Mateus 1:1 Lucas 3:34 – Vós sois os filhos dos profetas e da aliança que Deus fez com vossos pais, dizendo a Abraão: Na tua descendência serão benditas todas as nações da terra.
2. Descendência de Isaque - Gênesis 17:19 – Deus lhe respondeu. Na verdade, Sara, tua mulher, te dará um filho, e lhe porás o nome de Isaque, com ele estabelecerei a minha aliança, aliança perpétua para sua descendência depois dele. Cumprimento: Mateus 1:2 – Abraão gerou Isaque, Isaque gerou a Jacó, Jacó gerou Judá e a seus irmãos.
3. Descendência de Jacó - Profecia feita em 1300 anos antes de Cristo: Números 24:17, Gênesis 28:14.  Vê-lo-ei mas não agora; contemplar-lo-ei, mas não de perto. Uma estrela procederá de Jacó, e de Israel subirá um cetro que quebrara as têmporas de Moabe e destruirá todos os filhos de Sete. Cumprimento: Lucas 3:34 Mateus 1:2-3 – Filho de Jacó, filho de Isaque, filho de Abraão, filho de Terá, filho de Naor.
4. Descendência da Tribo de Judá - Gênesis 49:10 – O cetro não arredará de Judá, nem o bastão de autoridade de entre seus pés, até que venha Siló e a Ele obedecerão os povos. Cumprimento: Lucas 3:33 Mateus 1: 2-3 – Filho de Animadabe, filho de Admim, filho de Arni, filho de Esrom, filho de Farés, filho de Judá.
5. Seria legítimo herdeiro do trono de Davi. Profecia feita em 700 anos ... em 625 à 586 anos e outra em quase 1000 anos antes de Cristo em Isaías 9:7 11:1-5 2Samuel 7:13 Jeremias 23:5 Salmo 132:11– Do aumento do seu governo e paz não haverá fim. Reinará sobre o trono de Davi e sobre o seu reino, para o estabelecer e o fortificar em retidão e justiça, desde agora para sempre. O zelo do Senhor dos Exércitos fará isto. Cumprimento: Mateus 1:1 1:6 – Livro da genealogia de Jesus Cristo, filho de Davi, livro de Abraão.
6. Um Mensageiro iria anunciar sua chegada em Israel e começo do seu ministério. Profecia feita em 800 anos de Cristo - Isaías 40:3 – Preparai o caminho do Senhor; endireitai no ermo vereda a nosso Deus. Cumprimento: Mateus 3:1 – Naqueles dias, apareceu João Batista pregando no deserto da Judeia e dizia: Arrependei-vos, porque está próximo o reino dos céus.
7. O lugar do seu nascimento - Profecia feita em 738 a 698 antes de Cristo. Miquéias 5:2 – Mas tu, Belém Efrata, posto que pequena entre milhares de Judá, de ti me sairá aquele que há de reinar em Israel e cujas saídas são desde os tempos antigos, desde os dias da eternidade. Cumprimento: Mateus 2:1 Lucas 2:4-7 – Tendo Jesus nascido em Belém da Judéia, no tempo do reis Herodes, vieram uns magos do Oriente a Jerusalém.
8. Nasceria de uma Virgem. Profecia feita em 800 anos antes de Cristo. Isaías 7:14 – Portanto o mesmo Senhor vos dará um sinal: A virgem conceberá e dará a luz um filho e será o seu nome Emanuel. Cumprimento: Mateus 1:18 Lucas 1:26-35 - Ora, o nascimento de Jesus foi assim: Estando Maria, sua mãe, desposada com José, antes coabitassem, achou-se grávida pelo o Espírito Santo.
9. Seria homenageado por reis. Profecia feita a quase 1000 anos antes de Cristo. Salmos 72:10 - Paguem-lhe tributos os reis de Tarsis e das ilhas; os reis de Sabá e de Seba lhe ofereçam presentes. Cumprimento: Mateus 2:1-2 – Tendo Jesus nascido em Belém da Judeia, em dias do rei Herodes, eis que vieram uns magos do Oriente a Jerusalém. E perguntaram: Onde esta o recém nascido Rei dos Judeus? Porque vimos a estrela no Oriente e viemos adorá-Lo.


II. ENCARNAÇÃO MIRACULOSA
1. O Nascimento de Jesus foi Virginal.
Jesus nasceu como todos os homens, no entanto sua concepção no ventre de Maria foi de origem divina, sem a participação do componente sexual masculino (Mt 1:18-25; Lc 1:26-38). Teologicamente chamamos a isso de concepção virginal. Maria era virgem na época da concepção e assim continuou até o momento do nascimento de Jesus. As Escrituras deixam muito claro que José não teve qualquer intercurso com Maria antes do nascimento de Jesus (Mt 1:25).
2. A influência sobrenatural do Espírito Santo é que tornou possível a geração de Jesus no ventre de Maria. Isso não significa que Jesus é o resultado de uma relação de Deus com Maria, longe de nós tal idéia. O que Deus fez foi providenciar, por uma criação especial, tanto o componente humano ordinariamente suprido pelo macho (e assim o nascimento ser virginal) como um fator divino ( e assim a encarnação). Assim, o nascimento de Jesus nos aponta algumas verdades essenciais no cristianismo:
a) Que nossa salvação é sobrenatural (Jo 1:13): a salvação não vem pelo nosso esforço ou realização.
b) Que a salvação é uma dádiva da Graça (Ef 2:8): assim como não houve nenhum mérito em Maria para que fosse escolhida, da mesma forma acontece conosco quando somos salvos.


III. ENCARNAÇÃO EFETIVADA (JO 1.14).


1. Jesus possuía um corpo humano (Lc 2.7, 40, 52; 23. 26; Jo 4.6; 19. 28; Mt 4.2, 11).
2. Jesus possuía uma mente humana (Mt 13.32; Lc 2. 52; Hb 5. 8).
3. Jesus possuía alma humana e emoções humanas (Jo 12. 27; 13. 21; Mt 26. 38)
4. As pessoas próximas de Jesus consideravam-no apenas humano (Mt 4. 23-25; 13. 53-58)


III. ENCARNAÇÃO INDISPENSÁVEL
1. A encarnação é reciprocamente necessária: tanto para Deus como para nós, seres humanos.
"Para chegar a Deus você precisa passar pelo homem. Para Deus chegar em você Ele também precisa passar pelo homem. Não existe contato direto com Deus, isto é, todo contato entre o humano e o divino é mediado por um outro humano. O humano é ponte entre o humano e o divino. O humano é ponte entre o divino e o humano. Toda vez que você pretender um contato imediato com Deus, deixando de lado a ponte humana, isto é, a horizontalidade que Ele mesmo providenciou, você vai cair num abismo sem fim, isto é, vai experimentar o vazio, aquele sentimento de estar falando com ninguém. É isto o que o Evangelho ensina quando afirma que 'existe apenas um Mediador entre Deus e os homens: Cristo Jesus, homem'" (Ed Renê Kivitiz).
2. A encarnação foi necessária para o estabelecimento da Salvação da humanidade.
a) Com Obediência (Lc 4. 1-13; Gn 2.15 – 3.7; Rm 5. 18-19; 1Co 15. 47,54).
b) Por um Sacrifício absoluto e Substitutivo (Hb 2. 16-17, cf. v. 14).
c) Por meio de um Mediador entre Deus e os Homens (1Tm 2.5).
d) Para dominar a criação (Hb 2.8,9).
e) Para Deus nos mostrar como Ele mesmo é como o ser humano deve ser (1Jo 2.6; 3. 2-3; 2Co 3. 18; Rm 8.29; 1Pe 2.21; Hb 12.2,3; Fp. 3. 10).
f) Para servir de critério para  distinguir se a pessoa age pelo Espírito quando se confirma a encarnação (1 João 4:2, 3).


IV. ENCARNAÇÃO ESPERADA
1. O Verbo tem que continuar se encarnando. Jesus, a Segunda Pessoa da Santíssima Trindade, o "Verbo de Deus se fez carne e habitou entre nós". Este evento não ocorreu só uma única vez lá em Belém da Judéia. Deus espera que cada cristão deixe o Verbo de Deus se encarnar continuamente, em nosso dia-a-dia. Em Mateus10.25: “Basta ao discípulo ser como seu mestre...”; neste sentido, devemos ter a mesma consciência de Paulo, quando ele escreveu em Gálatas 2.20: "Já estou crucificado com Cristo; e vivo, não mais eu, mas Cristo vive em mim; e a vida que agora vivo na carne, vivo-a na fé no filho de Deus...".
2. O bom samaritano é um exemplo de um Evangelho encarnacional. Na parábola do Bom Samaritano vemos que a Fé do sacerdote e a fé do levita não são encarnadas, isto é, sua religião é uma mera teoria. Só o samaritano se compadece, só ele revela na vida uma fé encarnada. Se dependesse do sacerdote e do levita, Deus não poderia fazer nada pelo moribundo. Mas, o samaritano não age com indiferença, ele resolve agir com uma fé encarnacional.


3. Deus conta conosco para que o Evangelho continue encarnando-se. Quando o bom samaritano, socorreu e cuidou do ferido, Deus pôde realmente salvar o moribundo. "De algum modo, o samaritano passou a ser a mão divina: sem ela, Deus 'nada poderia fazer'. A ação humana nasceu do apelo divino e dEle recebeu seu ser, força e inspiração para agir. O Mundo espera de nós que nossa pregação, ensino e fé sejam encarnados.
"Jesus vem como criança para nos mostrar que Deus não nos ameaça e nem nos condena" (Robson de Oliveira Pereira). E assim a encarnação vai sendo atualizada na história e não se torna um fato do passado.
“Quando o pobre que pouco tem ainda reparte: o verbo se faz carne novamente. Quando o sedento dá água e o faminto dá o pão: o verbo se faz carne novamente. Quando o fraco fortalece o impotente, quando se diz a verdade onde reina a mentira, quando se ama onde há ódio, quando se prega a paz onde vigora a guerra: o verbo se faz carne novamente” (Leonardo Boff).
4. A encarnação (ou a falta dela) nos fornece a chave de leitura para compreendermos muitas questões não respondidas atualmente.
As pessoas muitas vezes perguntam: porque a dor? Qual o sentido do sofrimento? Porque a humilhação, a fome e a miséria? “As pessoas perguntavam e Deus se silenciava. Na encarnação Deus responde e a pessoa se silencia. Deus não responde ao porquê do sofrimento. Ele sofre junto. Deus não responde ao porquê da dor. Ele se faz homem das dores. Deus não responde ao porquê da humilhação. Ele se humilha” (Leonardo Boff).
CONCLUSÃO
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BIBLIOGRAFIA
BOFF, Leonardo. Artigo: A alegre mensagem de Natal: conto ou realidade. Vo 65, 777-788.
BRITO, Robson. Estudo Bíblico: Encarnação, Sarandi, 2003.
KIVITZ, Ed René. Outra espiritualidade. Ed. Mundo Cristão, 2006.
PEREIRA, Robson de Oliveira, Artigo: "O Verbo se fez carne e habitou entre nós", In www.paieterno.com.br, acesso em 5/12/12, as 23h30min.
TORRES QUEIRUGA, A., Repensar a Cristologia – Sondagens para um novo paradigma, São Paulo: Paulinas, (1ª Edição 1996),1999.

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