Não vos deixeis levar em redor por doutrinas várias e estranhas, porque bom é que o coração se fortifique com graça, e não com alimentos que de nada aproveitaram aos que a eles se entregaram. Hebreus 13:9

Assembléia de Deus
Sede - Maringá / Paraná)

Estudos

14/01/2013 / Estudos

Estudo 4: a Herança do Verdadeiro Natal

A Herança do Verdadeiro

admaringa Pr. Robson Brito




IEADCEMAR – IGREJA EVANGÉLICA ASSEMBLEIA DE DEUS DO CAMPO ECLESIÁTICO DE MARINGÁ


SÉRIE de ESTUDOS:
A HERANÇA DO VERDADEIRO NATAL


ESTUDO 4: No Natal, lembre-se dos Pobres


TEXTO BÁSICO: Lucas 2.1-20



Embora haja muitas pessoas carentes na Região de Maringá, estamos colocados em uma das regiões mais ricas da América do Sul. Todavia, quatro em cada dez latino-americanos vivem em favelas - As condições de pobreza junto à desigualdade fazem com que 44% da população da América Latina viva em favelas ou bairros precários, que só oferecem as condições mínimas para sobreviver, nao tendo esgotos e cerca da metade deles nao tem água encanada, segundo um estudo da Comissão Econômica para a América Latina e Caribe (Fonte: CEPAL - Renato Vargens).


Não há como fechar os olhos para a miséria! E, no Natal, Deus nos desafia a refletir sobre as necessidades daqueles mais carentes que nós.



• Natal e as Compras. Final de ano, especialmente, na semana do Natal, é tempo de compras. Quando são coerentes podem ser consideradas sadias. Mas quando são alienadas geram consumismo, o que é altamente prejudicial. Dentre outros motivos, porque se cairmos no pecado do consumismo esqueceremos dos outros, da obra do senhor e do próprio Senhor da obra.
• O conceito de Consumo: Consumo é o ato de a pessoa adquirir algo para atender as suas verdadeiras necessidades. Este consumo é sadio e tem a aprovação do Senhor. O Pai quer que seus filhos vivam bem e dignamente.
• Quando o Consumo é um mal? O Consumo será malévolo quando for considerado alienado (consumismo), quando a pessoa compra coisas de que na verdade objetivamente não precisa, até abusando do crédito fácil e gastando o dinheiro que não possui. E, normalmente quando é assim, a posse de coisas ou a compra de serviços tem objetivo de impressionar os outros e/ou serve erroneamente para aliviar sua ansiedade doentia. No consumismo, o indivíduo compra exageradamente e na maioria das vezes nem utiliza o produto que adquiriu, tornando-se realmente um alienado.
• Consumismo pode gerar doença. Em casos extremados, este consumo alienado chega gerar uma doença chamada oneomania, que atinge, segundo os especialistas, principalmente as mulheres, alguns dos sintomas que possam detectar a doença é o fato de a pessoa querer comprar tudo o que vê pela frente, se tornando viciado(a) em compras. Outro elemento do consumo pecaminoso é o materialismo. As empresas devem estar sempre atentas e inovando a cada dia para atender as necessidades e os desejos de seus clientes (ou pior ainda: inventar na cabeça delas necessidade que na verdade elas não tem).
• O Senhor não condena consumirmos coisas, bens e servicos de modo saudável. Deus garante que provê nossas necessidades (Sl 23.1, Fp 4.19); não desejos egoístas e infantis. Ele nos autoriza a gastar nosso dinheiro com propósito, o que está implícito na vida abundante que Jesus veio nos trazer (Jo 10.10). E uma das formas de praticarmos o consumo saudável é tendo discernimento. Carecemos de humildade para nos livrar de toda a ostentação e para priorizar nossa necessidades. Além disso, se soubermos gastar, se soubermos poupar, também saberemos dar, podendo ajudar as pessoas mais carentes que nós.


No período do Natal, no final do ano e no começo do ano novo, nós somos tão tentados a gastar tanto conosco mesmos e com nossa família, que sequer queremos nós lembrar das pessoas mais carentes que nós!


Assim, este estudo terá como foco responder a seguinte indagação: Por que, no período que envolve o Natal, a Bíblia Sagrada nos inspira a pensar naquelas pessoas e nos irmãos mais carentes que nós?



I. AS NARRATIVAS BÍBLICAS DO NATAL NÃO SÃO HISTÓRIAS DE OPULÊNCIA, MAS SIM, DE POBREZA:


1. O homem escolhido por Deus para ser tutor de Seu Filho tinha uma profissão simples: CARPINTEIRO (Mt 13.55).


2. MARIA E JOSÉ, DOIS DOS PROTAGONISTAS DO PRIMEIRO NATAL FORAM EXCLUÍDOS - Lucas 2:7  E deu à luz o seu filho primogênito, e envolveu-o em panos, e deitou-o numa manjedoura, porque não havia lugar para eles na estalagem.


3. TUDO INDICA QUE MARIA E JOSÉ NÃO TINHAM RECURSOS FINANCEIROS RESERVA-
a. Lucas 2.24: "e para darem a oferta segundo o disposto na lei do Senhor: um par de rolas ou dois pombinhos".
b. Fazendo uma correlação com o que a Lei de Moisés previa sobre isto confirmamos a condição sócio-econômica de José e sua esposa:


A Torá exigia que a mãe que teve um filho traga um cordeiro de um ano para o holocausto e uma rola (trygon significa pomba-rola em grego).
ou um pombinho (em grego nossoi peristêron significa filhote de pomba Em Lucas 2.24 essa expressão é usada para traduzir o conceito hebraico bnei jonah que significa “pomba jovem”, literalmente “filhos de pomba”). Mas, para o sacrifício pelos pecados (Levítico 12.6), se alguém fosse muito pobre e não pudesse trazer esse sacrifício, a Lei permitia trazer apenas duas rolas ou dois pombinhos, um para o holocausto e o outro para a oferta pelo pecado (Levítico 12.8). A palavra “rola” significa “pomba adulta”, diferente dos “pombinhos” da mesma espécie [TB Chulin 22a-22b - TB é o Talmude Babilônico; essas aves eram consideradas “pombas jovens” (bnei jonah em hebraico) enquanto suas penas não adquirissem um brilho dourado. Assim que elas brilhassem, passavam a ser chamadas de thorim (“pombas-rolas”)]. Estes detalhes não são tão relevantes, o que é importante é que deixa claro que José era um homem de poucos recursos. Deus escolheu pobre para cuidar de seu Filho!


II. NAS NARRATIVAS BÍBLICAS DO NATAL DEUS HONRA OS POBRES


1. Dentro da comunidade de Israel, Deus preferiu anunciar o nascimento de Jesus aos pobres – PASTORES - Lucas 2.8-20.


a. Ser pastor de ovelha no tempo de Jesus, assim como hoje, não dava status para ninguém. Os pastores, no tempo de Jesus eram marginalizados e depreciados pelos classes dominantes em Israel. Eram oprimidos e explorados pelos ricos. Há alguém até que dizia que eles eram subestimados para ser testemunha diante das autoridades de Israel na antigüidade. Os rabinos da religião dos fariseus normalmente suspeitavam que os pastores de ovelhas fossem desonestos e os rejeitavam como testemunhas em um julgamento. Estes trabalhadores eram vítima de generalização, sendo taxados injustamente de  é ladrões, ele próprio devido ao fato de que comiam dos pastos alheios em sua alimentação pessoal, e porque seu rebanho acabava entrando nas pastagens dos outros.


b) Todavia os pastores de ovelhas são os escolhidos de Deus para conhecer por primeiro que o Messias havia nascido. A eles, antes de todos os outros, é dada a boa notícia que faz daquela noite uma noite de alegria. Os pastores, exatamente porque nada possuíam, porque não contavam com nada e porque ninguém nada esperava deles, precisamente porque eram pobres e marginalizados, puderam receber  esta notícia como boa notícia. Sim, para os pobres é uma incrível notícia que Deus tenha escolhido nascer no meio deles, pobre e despojado de tudo, como um deles. O menino, deitado em um cocho, no interior da gruta, é o Cristo-Senhor. Alegria maior não poderia haver.


c) Os pobres pastores de ovelhas puderam sentir com profundidade, mais que todos, a alegria de se saberem amados por Deus. Eles escutaram anjos cantando: “glória a Deus nas alturas e paz na terra aos homens por Ele amados”. E partiram rumo a Belém: “vamos já a Belém e vejamos o que aconteceu, o que o Senhor nos deu a conhecer”(Lc 2.14-15). Foram e adoraram o menino deitado na manjedoura e “voltaram, glorificando e louvando a Deus por tudo que tinham visto e ouvido, conforme lhes fora dito”(cf. Lucas 2).  "Há um enorme contraste entre a pobreza da gruta com a manjedoura onde as ovelhas lambiam sal ou comiam feno, agora berço de um recém-nascido e o título dado ao menino: Salvador, Cristo-Senhor" (Eduardo Benes de Sales Rodrigues).


2. O primeiro natal foi motivo de alegria para os pobres – Lucas 2.10,11: O anjo, porém, lhes disse: Não temais; eis aqui vos trago boa-nova de grande alegria, que o será para todo o povo: é que hoje vos nasceu, na cidade de Davi, o Salvador, que é Cristo, o Senhor!


III. O NATAL DE HOJE ESTÁ SENDO ESCRITO POR NÓS. Pergunto os pobre estão alegres?
1. O que eu e você temos feitos pelos pobres?


2. A hipocrisia de quem utiliza o famoso ditado chinês: "É melhor ensinar pescar que dar o peixe". Nem ensinam pescar, mesmo porque os famintos não tem as ferramentas para pescar e muito menos dão o peixe. Se dependesse destes os famintos morreriam à míngua.


 Escreveu Agostinho, célebre teólogo e bispo de Hipona: "A pobreza é o fardo de alguns e a riqueza é o fardo de outros e, talvez, o maior. Fardos que podem pesar-lhes para a perdição. Ajuda teu pró­ximo a levar seu fardo de pobreza e deixa que ele te ajude a levares teu fardo de riqueza. Aliviarás tua carga aliviando a dele".



IV. O NATAL PODE NOS DAR UM CLIMA PROPÍCIO PARA AJUDARMOS OS MAIS CARENTES QUE NÓS:


1) O pecado em suas diferentes dimensões é a causa da Pobreza e, principalmente, da Miséria.


a) O Pecado Original: A Queda de Adão e Eva (Gn 3:17b-19)


b) Os pecados pessoais como
• a Ociosidade e a Preguiça: (Pv 6.6-11; 2 Ts 3.10);
• Má administração financeira e consumo alienado  (Pv 22.7; Is 55.2a);


c) O Pecado estrutural da Sociedade: manifestos pela Injustiça Social e pela falta de oportunidades contra os que estão em situação e risco, especialmente contra o estrangeiro ou aflito, uma viúva ou órfão (Ex. 22:21-22; 23:9; Lv. 19:33-34; Ex. 23:6-8; Dt. 10:18; 19:16-21; Dt. 10:18; Tg 2.6)



2) O Livro de Provérbios em sua sabedoria nos alerta sobre o cuidado que Deus quer que tenhamos com os mais carentes:


a. A pessoa que Sobrecarrega um pobre com peso maior que ele possa carregar ou o avexa é como se xingasse a Deus: Provérbios 14.31:  "O que oprime ao pobre insulta aquele que o criou, mas a este honra o que se compadece do necessitado".


b) Ter misericórdia do Pobre é uma forma de juntar tesouro no céu - Provérbios 19.17:  "Quem se compadece do pobre ao SENHOR empresta, e este lhe paga o seu benefício".



c) Da mesma forma que uma pessoa trata o pobre poderá ser tratado por Deus
• Provérbios 21.13: O que tapa o ouvido ao clamor do pobre também clamará e não será ouvido.
• Provérbios 22.9: O generoso será abençoado, porque dá do seu pão ao pobre.


d) Maldição: Ignorar os necessitados e omitir-lhes o socorro de que necessitam é pecado gravíssimo, por isso, a pena contra tais pecados é terrível -  Provérbios 28.27: Quem dá aos pobres não passará necessidade, mas quem faz de conta que os pobres não existem será muito amaldiçoado.


3) Você conhece alguém que está com alguma necessidade maior que a sua? Quais Ações Efetivas que você pode realizar por alguém mais necessitado das coisas materiais que você?


BIBLIOGRAFIA
BOYER, Orlando. Espada Cortante. IBAD - CPAD - Rio de Janeiro -     RJ, 2005.
BRITO, Robson. Estudo Bíblico: Lembre-se dos Pobres. Maringá,      2010.
LIEHI, Roger. ARTIGO: Festa de Natal no Templo em Jerusalém.      Revista  "Notícias de Israel, Edição de dezembro de 2004.
McNAIR, S. E. A Bíblia Explicada. Rio de Janeiro, CPAD, 1994.
MORAIS, Claudete, Psicóloga. Entrevista ao Jornal Página 3, edição de 25 de Dezembro de 2010 - Balneário Camboriú - SC; Título: "Oneomania: Quando comprar vira um problema".
RODRIGUES, Eduardo Benes de Sales. ARTIGO: Pastores e Magos. "O Diário de Sorocaba - SP", dezembro de 2011.

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